Karl Popper: O Primeiro Livro – Escrito, Publicado, e Pós-Publicado

Conteúdo:

1. O Primeiro Livro Escrito (1929-1933)

2. O Primeiro Livro Publicado (1934)

3. Um Interregno

4. O Postscript à Tradução do Primeiro Livro Publicado (1952-1982)

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1. O Primeiro Livro Escrito (1929-1933)

O primeiro livro que Karl Popper escreveu (mas não o primeiro que ele publicou) teve o título, em Alemão, de Die beiden Grundprobleme der Erkenntnistheorie [Os Dois Problemas Fundamentais da Teoria do Conhecimento]. Esse livro foi escrito, segundo tudo indica, nos cinco anos de 1929 a 1933, quando ele era professor de Escola Básica (Fundamental e Média) na zona rural dos arredores de Viena. Várias pessoas viram pedaços dele. Ele, originalmente, era um catatau de mais de mil páginas. Vou chama-lo de “livrão”.

O livro, como indica o título, que descreve o tema, discute dois problemas. É natural que, pelo tema e pelo tamanho, tenha sido dividido em dois volumes.

Um dos dois problemas discutidos no livrão, o primeiro problema, discutido no primeiro volume, envolvia dois aspectos.

O primeiro aspecto do primeiro problema era a questão do conceito mais adequado, ou da definição mais aceitável, de conhecimento — ou, de forma mais simples, a seguinte questão: o que é, afinal de contas, o conhecimento?

O segundo aspecto do primeiro problema, que decorre do primeiro aspecto, era a seguinte questão: como é que a gente diferencia o conhecimento de coisas que são parecidas com ele, mas não idênticas (como crenças, opiniões, pontos de vista, doutrinas, ideologias, “achices”, etc.)?

Popper designou esse primeiro problema (duplo) como o problema da definição e da demarcação do conhecimento (embora ele, o mais das vezes, só falasse em “demarcação”, porque tinha uma implicância homérica com filósofos que imaginavam que questões filosóficas não passavam de questões linguísticas, e definição parece nos levar para questões de linguagem e não de filosofia).  

O outro problema, o segundo problema do livrão, era mais específico. Mesmo que a gente consiga conceituar de forma clara, nítida e distinta o conhecimento, diferenciando-o de crenças, opiniões, achiches (“Eu acho que…”), etc., parece haver mais de um tipo de conhecimento.

De um lado, há conhecimentos assim mais chinfrins, como o conhecimento do senso comum: eu sei (tenho conhecimento de que) que sou Eduardo Chaves, que nasci em 7.9.1943, em Lucélia, SP, que meus pais eram Oscar Chaves e Edith de Campos Chaves, que tenho um irmão e duas irmãs, etc. Isso eu sei, não só acredito – isso é conhecimento real meu, não mera opinião minha.

E, de outro lado, há conhecimentos mais bem considerados, como o conhecimento científico: coisas que os cientistas sabem porque inventam ou descobrem através da pesquisa científica.

A questão importante é: existe alguma característica significativa que diferencie entre o conhecimento do senso comum e o conhecimento dos cientistas? Existe alguma outra demarcação entre o conhecimento comum (o do dia-a-dia) e o conhecimento científico (produzido em laboratórios, institutos de pesquisa, universidades)? 

A resposta tradicional era de que o conhecimento científico era produzido através da pesquisa, que envolvia observação cuidadosa da realidade, a realização de experimentos, etc., que produziam dados que, uma vez coletados, organizados e analisados, permitiam que se fossem feitas, através de um processo chamado de indução, generalizações (as chamadas leis científicas).

Para dar um exemplo bobo: a gente observa a natureza e descobre que há animais, meio parecidos, como patos, gansos, e marrecos – e há uns maiores, que chamamos de cisnes. Os outros parecem vir em várias corres, mas e os cisnes? A gente observa um, e ele é branco. Observa outro, é branco. Depois de observar uma centena, ou um milhar, a gente faz uma indução (que é um tipo de argumento que parte do particular para o geral) e conclui que todos os cisnes são brancos. A ciência opera mais ou menos assim.

Outro exemplo, um pouquinho menos bobo: a gente nota que a água da nosso canecão ferve, se ficar no fogo, e mede a temperatura dela quando ela começa a ferver: 100 graus centígrados. Ferve a água em outro tipo de receptáculo, uma panela de barro, e ela também ferve a 100 graus centígrados. Depois de um número razoável de observações e experimentos (neste caso, em que variamos o material do receptáculo, a quantidade de água, a intensidade do fogo, outros tipos calor, como o gerado pela eletricidade), etc., a gente conclui que a água ferve sempre a 100 graus centígrados.

Ou, em ainda um outro exemplo, que todo metal se dilata com o calor, e assim por diante.

Para encurtar: o tema do segundo problema do livrão era a indução. Por que esse tema? Porque a indicação, desde o século 18, era considerada problemática.

Um dos grandes filósofos da humanidade, David Hume, que viveu na Escócia e na Inglaterra no século 18 (e sobre o qual eu fiz a minha tese de doutoramento), defendeu a tese (não de doutoramento, que naquela época não havia isso) de que argumentos indutivos eram inválidos. Todos eles, sem exceção. Ora, se o que diferencia o nobre conhecimento científico do conhecimento mais chinfrim que nós, o povão, que não usa avental branco e não trabalha em laboratório, somos capazes de alcançar, é a indução, o uso do método científico, que é indutivo, então está tudo perdido. Esse o segundo problema do livrão.

Os dois problemas do livrão de Popper eram, portanto: de um lado, o da definição e demarcação do conhecimento, em geral, e, de outro lado, o da caracterização do conhecimento científico como algo que é gerado através de procedimentos indutivos (ou seja, o problema da indução).

2. O Primeiro Livro Publicado (1934)

Popper tentou a todo custo publicar o livrão – mas ele era um ilustre desconhecido no mundo intelectual da época. Tinha apenas 30 anos (em 1932). E aparece nas editoras com um livro de mais de mil páginas, numa época, durante a Crise Financeira iniciada em 1929, em que o papel estava muito caro. Ninguém aceitou publicar o livro dele.

Ao longo do tempo em que escreveu o livrão, ele tentou se aproximar, em Viena, do conhecido “Circulo de Viena”, formado por filósofos empiristas (que, sem exceção, aceitavam o método indutivo). O livro de Popper tinha, principalmente no segundo volume, um caráter inovador: procurava demonstrar que a indução, como Hume havia provado, era mesmo um método de argumentação evidentemente inválido. Mas que o método científico não precisava ser indutivo, posto que ele era, pelo menos para os grandes cientistas, dedutivo (hipotético-dedutivo), e o produto da ciência não era leis (hipóteses comprovadas ou justificadas pelo método indutivo), mas hipóteses testáveis através do método hipotético-dedutivo. Nesses testes o objetivo não era justificar a aceitação das hipóteses que se saíssem bem nos testes, mas, sim, falsificar e refutar as hipóteses que não se saíssem bem nos testes, e rejeitando-as, na forma em que foram testadas. As hipóteses que passassem nos testes poderiam ser usadas, mas deveriam ser continuamente testadas. Nunca haveria hipóteses que a ciência fosse capaz de provar como verdadeiras: só haveria hipóteses ainda não refutadas. Mas se os testes fossem rigorosos e sérios, e elas não fossem desmentidas por eles, poderiam ser usadas, mas sempre de modo provisório.

Depois de muito insistir junto às editoras, e conseguir algumas recomendações de membros do Círculo de Viena que lhe eram mais simpáticos, como Rudolf Carnap, Popper conseguiu que uma editora publicasse parte do seu livro (um pedaço relativamente pequeno, em relação ao todo). Popper selecionou um trecho do segundo volume, que ele ainda teve de reduzir de tamanho mais de uma vez. Com isso foram se acumulando cópias de pedaços do livrão que não eram idênticas umas às outras – uma enorme complicação para posteriores editores do livro como um todo.

Finalmente, no final de 1934 o livro foi publicado (com data de 1935), com o título de Die Logik der Forschung (Julius Springer Verlag, Vienna), que traduzido é A Lógica da Pesquisa – que, convenhamos, dá a entender que o livro é uma dessas “Metodologias da Investigação Científica”, como tantas que existem por aí. Graças ao bom Deus, não era. O livro era um texto bastante original sobre Epistemologia, ou Teoria do Conhecimento (Erkenntnistheorie), como estava no título do catatau. Ou, conforme se prefere dizer hoje, um texto de Filosofia da Ciência — embora fosse mais do que isso, porque Popper não era um positivista indutivista. Não era positivista, porque ele nunca acreditou que o conhecimento científico fosse o único tipo de conhecimento que existe ou vale a pena estudar e investigar (pois, afinal de contas, ele era um filósofo, não um cientista, e, como tal, não iria relegar a sua própria área a um limbo não-cognitivo). E não era indutivista porque ele concluíra, com Hume, que o raciocínio indutivo era inválido, mas, inovadora, mostrou que a ciência não tinha necessidade dessa forma de raciocínio.

Como o pedaço do livrão que foi publicado em 1934 foi tirado do segundo volume, ele dá bem mais atenção ao segundo dosproblemas. Por isso o livro publicado foi chamado de Logik de Forschung (Lógica da Pesquisa), título que veio a se tornar, em Inglês, quando o livro foi traduzido, só 25 anos depois (!), em 1959, The Logic of Scientific Discovery (Lógica da Descoberta Científica), não é um título muito adequado, mas esta é uma questão para uma outra hora.

3. Um Interregno

Para fechar estes dois primeiros capítulos.

O primeiro livro escrito de Popper foi Die beiden Grundprobleme der Erkenntnistheorie foi escrito em 1930-1933, em Alemão, com duas partes: a primeira sobre a questão da Demarcação entre Conhecimento e Não-Conhecimento, e a segunda sobre a questão da Indução, tida como característica essencial para a Demarcação entre Conhecimento Científico e outros tipos de Conhecimento (como o do Senso Comum). 

O primeiro livro publicado de Popper foi Die Logik der Forschung (Julius Springer Verlag, Vienna), publicado em 1934 (com data de 1935), em Alemão, que era um pequeno excerto da segunda parte do seu primeiro livro escrito.

O primeiro livro escrito de Popper, Die beiden Grundprobleme der Erkenntnistheorie, só foi publicado pela primeira vez, em Alemão, em 1979 (J. C. B. Mohr / Paul Siebeck, Túbingen) — e, mesmo assim, não na sua totalidade, mas o que restou das cópias datilográficas, depois das perdas de manuscrito que aconteceram, em especial na segunda parte do texto.

Esses dois livros publicados em Alemão só vieram a ser traduzidos para o Inglês (e, em especial Die Logik der Forschung, para inúmeras outras línguas) muito tempo depois.

Die Logik der Forschung foi publicado em Inglês, com o título de The Logic of Scientific Discovery (Hutchinson & Co, London, & Basic Books, New York), em 1959 (25 anos depois de sua publicação em Alemão).

Die beiden Grundprobleme der Erkenntnistheorie só foi publicado em Inglês, com o título de The Two Fundamental Problems of the Theory of Knowledge (Routledge, London and New York), em 2009 (30 anos depois de sua publicação em Alemão).  

Curioso: Die Logik der Forschung: 1934 e 1959 (a tradução, 25 anos depois); Die beiden Grundprobleme: 1979 e 2009 (a tradução, 30 anos depois). Três datas com o final em 9: 1959, 1979, 2009. E o intervalo entre o original e a tradução, respectivamente 25 e 30 anos, dois números considerados redondos. Parece até haver um fetiche numérico envolvido.

4. O Postscript à Tradução do Primeiro Livro Publicado (1952-1982)

Para que o leitor, que presumo ser neófito em Popper, não se confunda, é bom esclarecer, mesmo com alguma repetição:

Die Logik der Forschung, publicado em 1934 (com data de 1935) foi o primeiro livro publicado de Popper.

Die beiden Grundprobleme, embora escrito antes de Die Logik der Forschung, só foi publicado bem depois em Alemão (e muito depois, em Inglês).

O Postscript, que vou apresentar agora, foi escrito, em sua primeira versão, em Inglês, nos anos 1952-1954, Popper (em 1981) considerando que ele estaria basicamente pronto, nessa versão inicial, em 1954, razão pela qual recebeu o título provisório de The Postscript: After Twenty Years, os vinte anos sendo os anos decorridos desde a publicação de Die Logik der Forschung em 1934. A essas alturas Popper imaginava que o Postscript livro seria publicado bem antes da tradução de Die Logik der Forschung para o Inglês, que estava em curso, ou, na pior das hipóteses, ao mesmo tempo (a tradução sendo publicada em 1959, vinte e cinco anos depois do original, como ) The Logic of Scientific Discovery. Mas nem isso deu certo. Vários fatores intervieram, inclusive duas operações de deslocamento da retina de Popper, e o Postscript ficou na prateleira, embora seja mencionado em vários lugares em The Logic of Scientific Discovery. Só veio a ser publicado, com a edição de William Warren Bartley III (meu orientador de Doutorado), em 1982, quase trinta anos (28, para ser preciso) depois de Popper o considerar basicamente pronto em 1954. E a versão publicada, em três volumes, está consideravelmente ampliada e revisada (corrigida, alterada), embora todas as mudanças, em relação ao texto original, considerado como sendo as provas do livro que seria publicado em 1962, sendo cuidadosamente registradas.

Capici?

Para quem conhece Popper razoavelmente bem, algumas coisas ficam bastante claras. A publicação de Die Logik der Forschung resolveu o problema que ele tinha em 1934, que era garantir o seu direito de ter sido o primeiro a dizer certas coisas fundamentais acerca dos problemas discutidos por Die beiden Grundprobleme.

Isso feito, seu problema central, e Popper sabia com muita clareza quais eram seus problemas centrais em cada momento, era sair da Áustria para um lugar mais seguro. Sua atenção, de 1934 a 1936, ficou focada na questão da emigração: deixar a Áustria (e a Alemanha) para trás. Em 1937 ele arrumou o emprego na Nova Zelândia, mas a guerra estava para começar (na verdade, a Áustria já estava anexada à Alemanha desde 1934), como de fato começou em 1939, com a invasão da Polônia por Hitler, e sua atenção se voltou para o problema da Defesa de uma Sociedade Aberta e Liberal-Democrática, contra uma Sociedade Fechada e Nazi-Fascisto-Totalitária. Ele começou de pronto a escrever The Open Society and Its Enemies (A Sociedade Aberta e Seus Inimigos), livro que foi publicado, em Inglês, em 1945, tão logo terminada a guerra (George Routdlege & Sons, London, em 2 volumes). Este o segundo livro mais importante de Popper (mas ele não será discutido neste artigo) – o primeiro sendo o “complexo” destes três livros, que originalmente eram um só: Die Logik der Forschung + Die beiden Grundprobleme der Erkenntnistheorie + The Postscript (em três volumes), que tratam, todos eles, dos mesmos temas. 

De 1945 até 1959 o mundo de fala inglesa (vale dizer, o mundo inteiro, menos o mundo de fala alemã) só conhecia Popper como o autor de The Open Society, ou seja, como um Filósofo Político, defensor do Liberalismo Clássico, numa linha mais conservadora do que progressista, mas com alguns elementos progressistas, contra o Totalitarismo. Durante esse período Popper virou formalmente um cidadão britânico. Mas, mais importante do que isso, Popper virou culturalmente um britânico que considerava a sociedade ideal como algo muito próximo da sociedade britânica, em especial da sociedade inglesa.

Em 1959 foi publicada a tradução para o Inglês de Die Logik der Forschung, e o mundo descobriu que Popper era, antes e acima de tudo, um Epistemólogo, um especialista em Teoria do Conhecimento, e um Filósofo da Ciência. Era assim que ele era conhecido em Viena e no mundo de 1934. Com a publicação de The Logic of Scientifc Discovery, em 1959, e, depois, com a publicação do Postcript, em 1982, a imagem do Popper Epistemólogo e Filósofo da Ciência voltou a predominar (em especial depois da Queda do Muro de Berlin, o fim do Comunismo na antiga União Soviética, e o fim da Guerra Fria). (Popper sempre alegou, e procurou demonstrar, que sua Filosofia Política era uma decorrência lógica de sua Epistemologia e Filosofia da Ciência. Digamos que essa pretensão sua não convenceu muita gente, embora, com o tempo, as duas frentes de batalha de Popper tenham se aproximado.)

Voltando ao texto de The Logic of Scientific Discovery...  Popper concluiu que, por maior que fosse o número de notas de rodapé com um asterisco, dois asteriscos, três asteriscos (todas elas acrescentadas ao texto original), e por mais apêndices e outros complementos que se acrescentassem ao texto, ele não iria ser compreendido corretamente sem o Postcript… Por isso, ele nunca desistiu de publicar o Postscript, mas sua condição de saúde, em especial a sua vista, o impedia que fazer isso sozinho. E quem havia trabalhado com ele, lá na primeira versão do Postscript, William Warren Bartley III, seu ex-discípulo amado, bem… os dois estavam brigados desde 1965. Mas por volta de 1977 o interesse de cada um deles falou mais alto e eles voltaram a se relacionar bem, Popper designando Bartley para trabalhar na edição do Postscript, com vistas à sua publicação.

E assim foi, e assim se deu. O livro, que foi considerado como basicamente terminado por Popper em 1954, e que estava em prova final de gráfica em 1962, foi retomado com nova disposição, tanto do editor como do autor. Na verdade, ele foi reescrito, tantas foram as novas passagens acrescentadas por Popper. De 1977 para 1982 foram cinco anos de trabalho de Bartley e Popper, envolvendo o acréscimo de passagens novas por parte de Popper, a edição de passagens antigas por ambos, e o acréscimo de notas de rodapé tanto pelo autor como pelo editor. Tudo cuidadosamente registrado.

Os três volumes do Postscript são os seguintes:

1.     Realism and the Aim of Science (423p)

2.     The Open Universe: An Argument for Indeterminism (186p)

3.     Quantum Theory and the Schism in Physics (230p)

Note-se que o número de páginas do Volume 1 é um pouco maior (sete páginas) do que a soma do número de páginas dos outros dois volumes.

Os três volumes foram publicados com data de 1982 ou 1983. O Volume 1 tem a informação de que a primeira publicação foi em 1983; os Volumes 2 e 3 têm a informação de que a primeira publicação foi em 1982, o que parece sugerir que eles foram publicados antes do Volume 1. No caso do Volume 1, indica-se que a Editora da primeira publicação foi a Routledge (London & New York). No caso do Volume 2 não se indica qual foi a Editora da primeira publicação, mas menciona-se que o livro, publicado pela primeira vez em 1982, foi reimpresso em 1991 e 1992 pela Routledge. No caso do Volume 3, indica-se que a Editora da primeira publicação, em 1982, foi Unwin Hyman Ltda., e que o livro foi reimpresso em 1992 pela Routledge. O direito de cópia (copyright) de todos os três volumes é de Popper.

Todos os três volumes contêm um Prefácio, pelo Editor, que se presume ter a data de 1983 ou 1982, Reconhecimentos (Acknowledgements), pelo Autor, com data de 1959, e um texto, pelo Autor, com data de 1982, chamado de “Introdução”, no Volume 1, de “Prefácio”, no Volume 2, e de “Nota do Autor”, no Volume 3. Só os Reconhecimentos, pelo Autor, são idênticos, nos três volumes. Os outros textos são específicos de cada livro.

O Autor dedica o Volume 1 ao Editor, o Volume 2 a seu amigo Ernest Gombrich, e o Volume 3 a seus amigos Sir John Eccles e Sir Peter Medawar, ambos Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina, Eccles in 1963 e Medawar (que nasceu em Petrópolis, RJ) em 1960. Gombrich foi um dos mais famosos historiadores da arte do século 20. No caso do Volume 1, o Editor esclarece, em seu Prefácio, que o livro foi escrito basicamente nos anos 1951-1956 (p.xi), e que “o texto ora editado para publicação é essencialmente aquele que existia em 1962, e que, exceto em uns poucos lugares, indicados, nenhuma alteração de maior porte foi introduzida. Ainda no Volume 1, há, depois da longa Introdução de Popper, de 1982, que vai da p.xix à p.xxxix (21 páginas), um Prefácio, já numerado como parte do livro, datado de 1956, que vai da p.5 à p.8 (quatro páginas). É bom lembrar que Bartley, o Editor, informou que o livro foi escrito de 1951 a 1956 – e que o Prefácio de 1956, assinado por Popper, o Autor, parece decretar que 1956 é realmente a data final dessa parte do livro (que se tornou o seu Volume 1) – exceto pelo material acrescentado e modificado no processo editorial final. No caso do Volume 2 e do Volume 3, em que o Prefácio do Editor é menor, ele também esclarece que o texto do livro é essencialmente aquele que existia em 1962, e que, exceto em uns poucos lugares, indicados, nenhuma alteração de maior porte foi introduzida.

O Editor esclarece, nos três volumes, que, embora o Postscript tivesse sido originalmente concebido como uma unidade, a ideia de dividi-lo em três volumes foi sua, como também foram de sua lavra os títulos de cada volume, Popper simplesmente anuindo à proposta.

A biografia de Popper por Malachi Haim Hacohen, intitulada Karl Popper: The Formative Years (1902-1945) – Politics and Philosophy in Interwar Vienna, publicada pela Cambridge University Press, no ano 2000, embora cubra a vida de Popper até o final da Segunda Guerra, apenas, contém um Epílogo em que resume os principais fatos da vida dele de 1945 até sua morte em 1994. Na p.527 ele fornece uma breve história do Postscript, que vale a pena ler, mas que não acrescenta nada essencialmente diferente do que foi dito aqui.

É isto.

Em Salto, 24 de Janeiro de 2021

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